Um ato de amor


 

Ajudar o próximo é um ato de coragem. A nobreza de pequenos atos é indescritível. Uma pessoa é capaz de salvar até sete com a doação de sangue. É um procedimento rápido, mas que exige muita responsabilidade e honestidade. Você conhece as condições par ser doador? Tire suas dúvidas e faça parte dessa corrente do bem.

 

 A doação de sangue é realizada através de coleta e é um gesto simples que pode salvar muitas vidas. No Brasil são coletas por ano apenas 3,6 milhões de bolsas de sangue, o que significa que somente 1,8% da população é doadora de sangue. Embora este percentual esteja dentro dos parâmetros da Organização Mundial da Saúde (OMS), ainda é pequeno levando em conta a demanda que existe, porque mesmo que a ciência tenha avançado e feito muito progresso e inúmeras descobertas na área da saúde ainda, não foi encontrado um elemento substitutivo para o sangue humano.

 

A doação de sangue se classifica como um ato de amor ao próximo e totalmente voluntário, que é capaz de salvar vidas. Dependem desse ato solidário pessoas que submetem-se a tratamentos planejados e intervenções médica urgentes de grande porte e complexidade, como: transfusão, transplantes e intervenções oncológicas e tem como finalidade aumentar a capacidade do sangue de transportar oxigênio; restaurar o volume sanguíneo do organismo; melhorar a imunidade; corrigir distúrbios e coagulação.

 

AS FASES DA COLETA SÃO:

Identificação: A pessoas que deseja doar sangue deve procurar um serviço de hemoterapia portando um documento oficial com foto.  Em caso de menores de idade, devem também portar uma autorização assinada pelos responsáveis legais.

Triagem clínica: O candidato é submetido a um teste rápido para saber o nível de hemoglobina no sangue e verificar batimento cardíaco, pressão arterial e peso.

Entrevista: O candidato responde a possíveis riscos a que a pessoa pode ter se submetido nos últimos tempos como doenças recentes, práticas sexuais sem proteção e uso de drogas. Essa entrevista é realizada de forma sigilosa.

Coleta: Depois de acomodado o candidato tem retirado 450 ml de sangue, que são acondicionados em uma bolsa descartável e estéril. O procedimento leva em torno de 15 minutos e é totalmente seguro.

Lanche: Após o procedimento o doador recebe um lanche e tem como recomendação tomar muito líquido ao longo do dia.

 

ARMAZENAMENTO E APLICAÇÃO DO SANGUE DOADO:

Processamento: No setor de fracionamento o sangue é separado em hemácias, plaquetas e plasma, por centrifugação.

Exames: Amostras são submetidas a analises de Hepatite B e C, Sífilis, Doença de Chagas, AIDS, HTLV I/II e indicação do tipo sanguíneo e fator RH.

Estique: Após a liberação do resultado negativo dos exames, as bolsas com componentes do sangue são armazenadas de acordo com sua classificação e prazo de validade. Após esse processo de exames o sangue só é liberado com permissão do doador.

Distribuição: Componentes do sangue são encaminhados para transfusão conforme as demandas.

 

Os requisitos básicos para a doação são: Ter entre 16 e 69 anos, desde que a primeira doação tenha sido realizada até os 60 anos. Vale ressaltar que os menores de 18 devem possuir consentimento formal de seu responsável legal. No caso de doação autóloga (doar para você mesmo) não há limite de idade; pesar no mínimo 50kg; estar alimentado e ter evitado alimentos gordurosos nas 4 horas que antecedem a doação; caso a doação seja realizada depois do almoço deve aguardar 2 horas; ter dormido pelo menos 6 horas nas últimas 24 horas; apresentar documento oficial com foto, emitido pelo órgão oficial (carteira de identidade carteira nacional de trabalho, passaporte, registro nacional de estrangeiro, certificado de reservista ou carteira profissional emitida por classe); a frequência máxima é de quatro doações anuais para homens e de três doações para mulheres, o intervalo mínimo deve ser de dois meses para homens e três para mulheres.

Doar sangue é seguro. Não existem riscos de contrair uma doença infeciosa doando sangue, o único risco existente é que durante ou logo após a doação especialmente nas primeiras vezes, que o doador possa sentir algum mal-estar, mas nada que prejudique a longo prazo o seu desenvolvimento, além do que a equipe de coleta é preparada para esse tipo de situação e toma todo o cuidado para que os doadores sejam bem assistidos.

Para doar sangue você deve procurar unidade de coleta, como Hemocentros, para checar se você atende aos requisitos necessários, para a doação. Não basta apenas estar munido da vontade de ajudar o próximo, é preciso ficar atento, pois existem impedimento temporários e impedimentos definitivos, que você conhece a seguir:

Impedimentos temporários: Gripe, resfriado e febre é preciso aguardar 7 dias após o desaparecimento dos sintomas; período gestacional; período pós-gravidez: 90 dias para parto normal e 180 para cesariana; amamentação: até 12 meses após o parto; ingestão de bebida alcóolica nas 12 horas que antecedem a doação; tatuagem e/ou piercing nos últimos 6 meses (piercing em cavidade oral ou região genital impedem a doação); extração dentária: 72 horas; apendicite, hérnia, amigdalectomia, varizes: 3 meses; colecistectomia, histerectomia, nefrectomia, redução de fraturas, politraumatismos sem sequela grave, tireoidectomia, colectomia: 6 meses; transfusão de sangue: 1 ano; vacinação: o tempo de impedimento varia de acordo com o tipo de vacina; exames/procedimentos  como utilização de endoscópio nos últimos 6 meses; ter sido exposto a situações de risco acrescido para infecção sexualmente transmissíveis: aguardar 12 meses após a exposição.

Impedimentos Definitivos: Ter passado por um quadro de hepatite após os 11 anos de idade; evidência clínica ou laboratorial das seguintes doença transmissíveis pelo sangue: hepatite B e C, AIDS (Vírus HIV), doenças associadas ao Vírus HTLV I e II e Doença de Chagas; uso de drogas ilícitas injetáveis.

Como a doação de sangue é capaz de salvar vidas, é necessário estar atento a requisitos básicos para ser um doador, por isso com a ajuda do HEMOSC de Joaçaba a Êxito, gostaria de esclarecer algumas dúvidas acerca do procedimento.

>O Inciso IV do artigo 473 da CTL (Consolidação das Leis do Trabalho) dispõe que o empregado poderá deixar de comparecer ao trabalho, sem prejuízo de salário, por um dia, a cada 12 meses, em caso de doação voluntária de sangue devidamente comprovada.

>O doador será comunicado em caso de alterações no resultado dos exames realizados para orientação e/ou coleta de nova amostra e o sangue só pode ser doado com a autorização do doador.

>Quem fuma pode doar sangue, mas é recomendado um intervalo de pelo menos 2 horas antes da doação.

>A mulheres que estiverem menstruadas podem doar sangue normalmente.

>Pessoas com menos de 50kg não podem doar sangue, porque o volume a ser doado é proporcional ao peso do doador. Para homens é de 9ml/kg e para mulheres, 8ml/kg. O anticoagulante presente na bolsa de doação liga-se ao sangue impedindo que esse coagule. O volume de anticoagulante da bolsa (63ml) é padronizado para um mínimo de 400ml de sangue, logo uma pessoa com peso menor que 50kg não poderia doar o volume mínimo, pois sobraria anticoagulante.

>Existem muitas dúvidas quanto ao “prazo de validade” do sangue doado. O hemocomponentes atualmente produzidos no HEMOSC são conservados em soluções anticoagulantes e permitem a seguinte validade: Concentrado de hemácias – varia entre 21 e 42 dias; concentrado de plaquetas 5 dias e o plasma é congelado.

>Segundo a Portaria da Consolidação do Ministério da Saúde, n° 5 de 03 de outubro de 2017 que define: “Considerar-se-á inapto temporariamente por 12 meses o candidato que tenha sido exposto a qualquer uma das situações abaixo: (...) IV – homens que tiveram relações sexuais com outros homens e/ou as parceiras sexuais deste; ”. Contestados sobre esse ser considerado um ato discriminatório, o HEMOSC cita, por exemplo o Art. 65, parágrafo 3° onde diz: “Qualquer procedimento endoscópico leva a inaptidão à doação de sangue por 6 meses”, alegando respeito a requisitos legais.

A legislação sobre a doação de sangue utilizadas no Brasil, baseiam-se em grande parte, em consensos internacionais e que são utilizadas como referência em todo o mundo. Esses consensos baseiam-se em amplos estudos epidemiológicos realizados em países como Estados Unidos, Inglaterra, França e Austrália que são referências mundiais em Hemoterapia. Muitos destes consensos, são adotados em países que são notoriamente reconhecidos por seus governos estarem em vanguarda de ações contra a discriminação de qualquer tipo como: sexo, religião, comportamento sexual, etc. Portanto elaboram critérios epidemiológicos que visam a minimização do risco de alguma doença transmissível por transfusão em pacientes.

>Os homens podem doar sangue a cada 2 meses e as mulheres a cada 3 meses, porque nas mulheres a reposição do estoque de ferro é mais demorado devido as perdas durante os ciclos menstruais.

>Não se pode consumir alimentos gordurosos nas quatro horas que antecedem a doação, porque de acordo com as recomendações da OMS, o sangue recebido de uma doação deve ter no mínimo 10% de gordura. Quando esse limite é ultrapassado torna-se mais difícil identificar doenças transmissíveis, como hepatite B e C, AIDS, Sífilis e Chagas.

>As pessoas que estiverem fazendo dieta para emagrecimento podem doar sangue normalmente, desde que a perda de peso não tenha comprometido a saúde do doador.

>Medicamentos para emagrecer que apresentam na formula substâncias como anfetaminas (Femproporex, Anfrepamona) e Sibutramina, que podem acarretar efeitos adversos como nervosismo, irritabilidade e taquicardia, devem ser suspensos até sete dias antes da doação.

>O Hipertireoidismo impede a doação, já o hipotireoidismo, se não for causado por Tireoide de Hashimoto, está liberado para doação. Caso o doador não saiba informar, orienta-se que leve uma declaração de seu endocrinologista informando que o mesmo não é portador da Tireoide de Hashimoto.

>Medicações para pressão arterial geralmente não impedem a doação. Candidatos que estejam tomando antidepressivos de ação central (Metildopa, Clonidina, Reserpina) os beta-bloqueadores (Propanolol, Antenolol, Oxpernolol ou similares), os bloqueadores alfa-adernegicos (Prazocin, Minoxidil) e os vasodilatadores (HIdralazina), não podem doar sangue. Não impedem a doação os diuréticos (Hidroclorotiazida, Clorana, Furosemida), antagonista da angiotensina II (Losartana), os bloqueadores dos canais de Cálcio (Nifedipina) e os inibidores da enzima conversora de angiorensina (Captopril, Enalapril ou similares).

>Pessoas com diabetes dependentes ou não de insulina, não podem doar sangue por terem maior probabilidade de apresentar alterações no sistema cardiovascular que podem levar a complicações durante a doação de sangue.

>Só se pode doar sangue quando se teve Hepatite antes dos 11 anos de idade, porque antes dessa idade a probabilidade de que o candidato tenha tido Hepatite do tipo A é de quase 100%, fato este já confirmado em estudos epidemiológicos. Como a Hepatite A não deixa partículas virais ou vírus circulantes após a cura, não há contraindicações em doar sangue.

>Doenças autoimunes como é o caso da doença celíaca, em geral não permitem a doação, porém estão sujeitas a avaliação dos triagistas, e devem ser reportadas por eles. Em linha gerais, trata-se da proteção do doador e em segundo plano o cuidado para com o receptor do sangue. As orientações são dadas pela portaria da Consolidação n° 5 do Ministério da Saúde, no seu anexo I do Anexo IV. Pessoas com intolerância alimentares como a intolerância a lactose, podem doar sangue normalmente.

Diariamente muitas pessoas sofrem acidentes graves que comprometem sua saúde ou estão internadas por diferentes doenças e necessitam de transfusões sanguíneas para sobreviver, como o sangue não pode ser substituído por outros componentes e elementos e nem pode ser comercializado é um ato que depende da solidariedade das pessoas. Seja um doador!

 


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