Um livro e um cachorro - Clara Madrigano


Sinistro e delicado, tenso e triste. Dodge é tudo isso e mais um pouco. o livro intrigante e terrível da escritora Clara Madrigano surpreende pelo desenvolvimentismo dos personagens e preparação do leitor para atingir o desfecho final. A autora de Blumenau, editora-chefe na Dame Blanche, fala sobre Dogde e sua outras obras, além de dar valiosas dicas. 

Como nasceu a ideia de escrever Dodge? 

Eu queria escrever sobre um ambiente abusivo e tóxico sob o ponto de vista da suposta vítima. Mães cruéis sempre me fascinaram, talvez porque minha esperiência conte o contrário: eu tive (e tenho) uma mãe ótima, e o exercício da escrita sempre me leva a algo que não retrata minha vida, para os cantos escuros do "e se acontecesse assim...". Acho que a vida de muito autores funciona dessa forma; estamos sempre especulando sobre o que não aconteceu, sobre o que nos perturba. 

Que dica você daria para quem deseja escrever um livro?

Comece pequeno. Entenda o que é necessário para contar uma história do começo ao fim. Sempre incentivo iniciantes a começarem por contos ou narrativas curtas, e não por romances de 800 páginas. Um texto curto vai te ensinar muito sobre a anatomia de uma história, sobre excesso, pontos frascos, pontos fortes. Enfim, sobre tudo de que você precisa para, eventualmente, escrever um romance. 

Como criar uma rotina de escrita?

O essencial é descobrir se você é uma pessoa que funciona melhor durante a manhã ou durante a noite, e aí estabelecer pelo menos duas horas de escrta ininterrupta, no período que você escolher. Se você sentir que está se cansando, pare, vá beber um chá ou um café, relaxe um pouco e depois volte a escrever. Se você se permitir se esgotar, não vai se sentir muito animado para voltar a escrever depois. É bom parar a escrita quando você está empolgado, quando você ja vê o resto inteiro da cena ou do capítulo sendo reproduzido na sua cabeça. Aí você vai saber exatamente de onde retornar quado voltar a escrever, e vai estar animado para fazê-lo. 

Você já publicou outras obras como "As boas damas" e "Corrida do queijo". Pode falar sobre elas?

"As boas damas" é uma novela que escrevi origialmente a pedido de um editor, mas ficou grande demais para ser incluido no livro de contos e acabei por publicá-lo sozinha. A proposta era de fazer algo diferente com Sherlock Holmes. Tenho um enorme carinho pelo resultado final, especialmente pela heroína que criei, a Annabel. 

"Corrida do queijo", o conto publicado na resvista superinterressante, nasceu das minhas conversas com meu pai, que é o maior fã de Beatles que eu conheço. Meu pai sempre viu a História como se fosse dividida entre antes e depois dos Beatles, e eu queria brincar com essa ideia de poder visitar certos momentos do passado - mais ou menso como viajantes do tempo. Quis desenvolver uma historia em que a ambição máxima dos personagens fosse poder presenciar um show que marcou gerações.

Podemos esperar outros lançamentos?

Com certeza. A começar pelo ano que vem. Pretendo lançar novos contos e talvez até um romance. 


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