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A rolha nossa de cada dia


Ele estava na mesa mais importante da história ocidental. Ele está nos filmes de Woody Allen, na mesa de Cersei Lannister, nos livros de Stephen King, nas noites de Olivia Pope. É produzido no mundo todo e também por celebridades como Francis Coppola, Victoria Bckham e Madonna. É consumido no mundo todos e na sua casa provavelmente não é diferente. O vinho! Ah, o vinho não precisa de explicações.

 

Com uma garrafa de vinho na frente, você não demoraria para tentar supor se é liquido precioso do interior é bom ou ruim apenas observando a embalagem. Todos nós, consumidores, fazemos isso! E os especialistas do marketing e do design de embalagens sabem disso e vão usar todos os artifícios possíveis para fazer com que a gente compre e compre e compre. Mas não somente isso. Também é função dessas pessoas fazer com que a gente acredite que está escolhendo um produto de qualidade superior.

Com os vinhos, a sensação é amplificada ao se pensar no ritual de abertura da garrafa. A retirada da rolha, muito mais do que um rito realizado pelos enófilos para apreciar a bebida, guarda um significado que parece estar ameaçado pela evolução ou pela cultura. Você sabia que muito dos vinhos australianos e neozelandeses são vendidos em caixa terra pack? No Brasil, esta moda ainda não pegou e torcemos o nariz até para as tampas de rosca, mas vamos deixar esse julgamento de lado para entender melhor a razão dessa opção.

 

A ROLHA TRADICIONAL DE CORTIÇA

As garrafas de vidro armazenam vinhos desde os tempos do Império Romano, mesmo que só tenha se tornado um padrão a partir do século VXII. Com a garrafa, veio também o uso da tradicional rolha de cortiça, em função das suas características como elasticidade, aderência, longevidade e permeabilidade. Ela é indicada para vinhos de guarda, ou seja, para o vinho que precisa envelhecer.

A cortiça vem da casca de uma espécie de carvalho muito comum no sul de Portugal, cuja primeira safra é obtida após 25 anos de plantio. Depois de descascar a árvore pela primeira vez, pode-se retirar a casca novamente a cada nove anos. Normalmente, nas planícies do Alentejo, numeram-se as árvores com o número relativo ao ano da colheita, formando uma paisagem linda e inusitada.

O problema com a rolha de cortiça, que levou ao aperfeiçoamento das rolhas sintéticas e das tampas de rosca, é a incidência de TCA (tricloroanisol), uma substancia química volátil liberada pela cortiça quando atacada por um fungo que provoca aromas desagradáveis de mofo no vinho. Estimativas pessimistas apontam que de 2 a 5% dos vinhos vedados com rolha de cortiça sofrem problemas causados pelo TCA, que passam a ser chamados popularmente de bouchonné (leia buxonê). Esse defeito deixa o vinho com “gosto de rolha” e aroma normalmente descrito como de jornal mofado, cachorro molhado ou papelão úmido. Embora não cause danos à saúde, acaba sendo perceptível ao paladar e impossível de ser identificado antes da abertura da garrafa. Por isso, os produtores de rolhas trabalham com controles de qualidade para livrar a matéria-prima da contaminação e possibilitar a continuidade dessa tradição, importante não somente para os amantes da bebida, mas também para as comunidades rurais e para o equilíbrio dos ecossistemas.

 

AS DIFERENTES ROLHAS DE CORTIÇA

A rolha de cortiça maciça apresenta excelente resultados nos vinhos de guarda e será melhor quando mais longa, larga e elástica for. Ela pode variar de tamanho, mas sempre deverá ter um diâmetro maior que o da boca da garrafa, pois assim que for comprimida pela máquina deve ficar firme e vedar bem o recipiente. Entretanto, tem um custo elevado que pode chegar a mais de um euro por unidade.

Por isso, buscou-se uma opção mais barata com as rolhas de aglomerado de cortiça, feita com a madeira moída e cola, cuja elasticidade e durabilidade são menores se comparadas às maciças. Não se descarta a presença de TCA, porém, alguns produtores identificaram aromas negativos ao vinho em função do contato com a cola, o que nos levou a adicionar camadas de cortiça maciça na parte que entra em contato com o produto. As rolhas que levam esses discos de madeira pura na base são chamadas de técnicas. Ambas cumprem a função de vedar o produto, embora não seja apropriada para longa guarda, com um preço de custo mais acessível.

As rolhas que levam esse discos de madeira pura na base são chamadas de técnicas. Ambas cumprem a função de vedar o produto, embora não sejam apropriadas para longa guarda, com um preço de custo mais acessível.

 

AS ROLHAS SINTÉTICAS

Chegaram ao mercado no início dos anos 90, trazendo consigo o espanto e a revolta aos tradicionalistas. Elas capturaram cerca de 20% das garrafas ao redor do mundo, normalmente direcionadas para fermentado de menor preço e menos de cinco anos de expectativa de vida. Podem ser feitas de plástico ou outros derivados de petróleo, cana de açúcar ou outros materiais e permitem que o vinho respire. Não geram riscos de contaminação por TCA e são bastantes resistente, apesar de sua durabilidade não ser comprovada. Permitem que os vinhos sejam guardados em pé e podem ser coloridas (um amor par o marketing, um horror para os tradicionalistas). Ainda são mais baratas do que as outras rolhas tradicionais.

 

AS TAMPAS DE ROSCA

Conhecidas com screwcap, vem sendo pesquisado para uso nos vinhos australianos e neozelandeses desde os anos 70. Além de serem mais barata e sustentáveis, as screwcaps separam mais o ar do vinho, contribuindo para preservação dos aromas e sabores. Como cereja do bolo: facilitam a vida na hora de abrir. A tampa metálica funciona perfeitamente para fermentados jovens e uma grande tendência de mercado.

 

AS ROLHAS DE VIDRO

Charmosas e caríssimas. As rolhas de vidro estão lacrando vários rótulos admirados da Alemanha, Provença e Vale do Napa por vedar completamente e reduzir o risco de oxidação a zero. No entanto, o custo unitário e a impossibilidade de automatizar o processo de colocação encarecem o preço final dos vinhos. Como o seu uso é recente, ainda não é possível analisar seu comportamento com vinhos de guarda média ou longa.

 

PENSE DENTRO DA CAIXA

Controverso no Brasil, comum no exterior, cerca de 50% dos vinhos de mesa argentinos e chilenos já vem embalados em caixas tetra pak. É como uma caixa de leite versão adulta. Comum na Austrália e Nova Zelândia, com versões de 3 litro ou mais e uma torneira como de barril, é uma possibilidade de permitir que o vinho se popularize em função do preço reduzido e da praticidade.

Seja qual for a rolha ou a embalagem do seu vinho preferido, seja com um tinto ou branco, seja um malbec, cabernet ou até um suave, o que vale mesmo é um bom brinde com os amigos. Saúde!


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